Sexta, 03 Maio 2019 00:00

Projeto Memórias Além foi exibido no Cine Teatro Brasil

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Projeto Memórias Além foi exibido no Cine Teatro Brasil Soninha Carvalho

Mais um projeto, visando resgatar e registrar a memória de personagens e personalidades que fizeram e fazem parte da história alemparaibana, foi apresentado na noite desta segunda-feira, dia 29, no Cine Teatro Brasil. Os documentários, produzidos e dirigidos por Carlos Torres Moura, passam a fazer parte do Projeto Memórias Além - nome criado pelo próprio Moura, e que a cada registro, leva o público a se emocionar e a conhecer um pouco mais sobre a vida e a arte de seus personagens: Nadir, Onofre e as irmãs Ana & Vanêssa.
Como não se emocionar ao ouvir os relatos de uma mulher simples e batalhadora, que vive para seus filhos e se emociona ao pensar por um segundo a sua ausência?
Nadir Fani é o seu nome, ou, como é mais conhecida " a Nadir do Matadouro". Nascida em Chiador, começou a trabalhar desde cedo, diante das dificuldades enfrentadas pela família. Passou por grandes conflitos, quando a família perdeu o próprio teto, quando a única casa foi tomada pelo banco, por causa de uma dívida de jogo. Fez um pouco de tudo nesta vida. Entregava marmitas nas várias fábricas que a cidade possuía, no áureo tempo das indústrias; de lavadeira a cozinheira foi tirando o sustento da família. Até no Hospital já trabalhou, mas por ser menor de idade, o emprego não vingou. O tempo foi passando, até que o então prefeito Elias Sahione cruzou seu caminho e lhe arranjou um emprego na Prefeitura e de lá só saiu após a sua aposentadoria.
Nadir não esconde a paixão pelo "belo" Sílvio Santos e não perde um domingo de seu programa. Adora a TVS, hoje SBT, e só muda de canal aos sábados, quando é para assistir aquele " homem pequenino" do Altas Horas - numa referência ao a apresentador Serginho Groisman, da famosa Plim Plim.
Na religião se diz católica e acredita em Deus, mesmo que não vá com frequência à Igreja, disse que prefere conversar com Deus ali mesmo, na sua casa. Viver, para ela, é não deixar o coração cheio de mágoas e procurar fazer sempre o bem, evitando as fofocas. Pois a pessoa que é ruim, não vive e não deixa o outro viver. A morte? Ela não pensa nisso não, pois para Nadir, viver é muito melhor.
Poeta, escritor, ator e compositor. Um faz tudo quando o assunto é a arte. Assim podemos descrever Onofre Ferreira, outro personagem da noite. Relembrando uma cidade rica de oportunidades, Onofre relata que, na Além Paraíba do passado ninguém ficava desempregado. Todos que aqui chegavam eram empregados. Não se formou em nenhuma faculdade e terminou seus estudos através de correspondência. Mas como gostava muito de livros, buscou na literatura, construir o seu próprio mundo, e junto com o irmão, trabalhou numa loja de técnico de eletrônicos, de onde só saiu quando se aposentou.
Com a instalação de um circo próximo ao sítio da família, descobriu o talento para o teatro e ainda nesta época, passou a ter os primeiros contatos com os acordes do violão, chegando a criar um conjunto junto com alguns amigos realizando algumas apresentações. Já rapaz, e morando na cidade, Onofre relembra a má fama do bairro de Vila Caxias, onde jovens, pela força da juventude, só resolviam as coisas no braço, originando assim a expressão " terra de índio".
A música surge em sua vida naturalmente, sem nenhuma raiz. Onofre se diz um amante da arte. Os versos saem da sua mente ao simples fato de erguer os olhos e admirar o dia lindo, deixando de olhar cabisbaixo e aprendendo a olhar a vida com alegria. E assim, nesse entusiasmo, escreveu mais de 50 poesias. Diz, também, não pensar na morte e não acredita na vida eterna, mas sim numa força divina arquitetada pelo grande engenheiro do Universo, e como tem muita dificuldade de acreditar no Céu, também não acredita no Inferno. Sobre a vida, o poeta diz que a grande receita é não guardar resentimentos - e caso alguém lhe faça algo que não goste, amanhã será outro dia e ficaremos amigos novamente - finalizou.
E como coincidências não existem, a noite ainda reservava muitas emoções e no dia da bailarina, 29 de abril, o último documentário foi com as meninas do Stúdio A, as bailarinas Ana Marina Faria e Vanêssa Faria, que mesmo sendo irmãs e tendo muitas coisas em comuns, uma diverge da outra. Ana Marina diz que apesar dos sonhos, segue a linha mais racional e Vanêssa é aquela pessoa que coloca o coração sempre à frente de tudo que faz.
A dança, segundo tia Vanêssa, surgiu em sua vida por recomendações médicas, devido a um "pé chato", e com isso foi se apaixonando e dando seus primeiros passos. Tempos depois surge na cidade a " Ginga Academia", dirigidos pelos professores Ângela Garcia, Carlos Henrique Zanata e Regina Mascaranhas e graças a bolsas de estudos, as irmãs Faria continuaram a trilhar o caminho da dança. Participaram de vários eventos desenvolvidos no Colégio dos Santos Anjos. Ainda na juventude, Aninha fez parte de um grupo de meninas que faziam o cover das Paquitas - lideradas por Fernanda Amaral, chegando a fazer a abertura de muitos shows nas exposições de cidades vizinhas como Macuco, Cachoeira de Macacu, Magé e também participou de programas de televisão, marcando presença no Programa da Xuxa e do Sérgio Malandro.
Ana Marina se diz realizada e quer passar para suas alunas toda a sua experiência dentro da dança. Para as irmãs, o Stúdio A, hoje, é a realização de um sonho. São 16 anos de luta e cada espetáculo é a certeza de estarem no caminho certo , embora, segundo Aninha, por diversas vezes já pensou em parar devido a dificuldades financeiras, pois "infelizmente a cultura em Além Paraíba não é valorizada" - desabafa Aninha. O que mais lhe preocupa é a violência que envolve as crianças, e o fato delas passarem uma boa parte do tempo envolvidas com a dança, isso acaba as afastando dessa violência que tanto a preocupa - relatou.
Poder ajudar outras crianças a realizarem um sonho, que um dia elas também tiveram, faz toda a diferença. “Eu quero poder fazer pelas crianças o que um dia fizeram pela gente e gostaria que a cultura fosse olhada com outros olhos. E acredito que a valorização dos projetos culturais, faz com que a cidade também seja valorizada”.
Quando o assunto é família, a emoção fica ainda mais evidente e a saudade da mãe, Maria das Graças, ainda chega a doer no coração e o desejo das irmãs é que ela estivesse presente para vivenciar juntas toda essa trajetória. Durante uma fase da vida as irmãs se separaram e o desejo da mãe era que as irmãs se unissem e ficassem sempre juntas, uma dando força para a outra.
Sobre o futuro, esperam continuar em frente sem muitas expectativas, realizando novos sonhos e procurando fazer o melhor pela cidade. - Além Paraíba é a minha cidade, é o meu canto e eu não troco por nada - finalizou Vanêssa.
( Texto: Sônia Carvalho / Fotos: Sônia Carvalho e Rodrigo Silveira)

 

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Informações adicionais

  • Cidade: Além Paraíba - MG

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