Sexta, 02 Outubro 2015 00:00

Famílias invadem obra de conjunto habitacional no Carmo

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Famílias invadem obra de conjunto habitacional no Carmo Manoel Américo Salles

Sessenta e seis casas de um Conjunto Habitacional da cidade de Carmo (RJ), que estavam sendo construídas no bairro Ave Maria, foram invadidas na manhã do dia 10 de setembro por dezenas de famílias carentes. Muitos dizem ser “sem teto” ou “sem condições de continuar pagando aluguel”.
As obras de construção das casas populares bairro Ave Maria foram iniciadas no ano de 2011 e são de responsabilidade do Governo do Estado e da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab). O conjunto habitacional já deveria ter sido concluído e as casas entregues aos moradores inscritos no programa, porém isso não ocorreu. No dia 10 de setembro, as casas—totalmente inacabadas e sem qualquer estrutura para abrigar moradores— foram ocupadas por famílias carmenses que argumentam não ter onde morar. Indiferentes à falta de água, luz, esgoto, portas e janelas nas casas, os invasores se instalaram no conjunto habitacional e estão vivendo em condições sub-humanas. Não há sequer banheiros acabados para que eles possam fazer suas necessidades fisiológicas.
A notícia da invasão causou um grande alvoroço em toda a região. De imediato, começaram a surgir boatos diversos de que a ação havia sido autorizada pelo prefeito do município de Carmo, César Ladeira. Essa informação chegou a ser confirmada por moradores, em entrevista ao radialista Manoel Américo, da Rádio Mix 102 FM de Além Paraíba. Dois entrevistados afirmaram que foi o prefeito Cesar Ladeira quem autorizou a entrada de um deles nas casas e, com isso, os demais tomaram a decisão de invadir o conjunto habitacional. Os entrevistados explicaram sobre o que os motivou a invadir as casas. Segundo os mesmos, a grande maioria “não tem para onde ir”, e que não recebem o aluguel social. Alguns afirmaram também que não recebem nenhum benefício social, “nem bolsa família”.
O prefeito do município de Carmo, César Ladeira, também foi ouvido em entrevista à Rádio Mix Além Paraíba. Ele negou a afirmação dos moradores de que teria sido ele a permitir a invasão, e esclareceu que, como prefeito, não tem autonomia para tomar tal decisão, pois o município não é o gestor de tal obra, sendo essa de responsabilidade do Governo Estadual, destacando ainda que o contrato para realização das obras foi em mandato anterior ao seu. O prefeito falou também que as obras que tiveram início em 2011 já vinham sendo feitas a “passos de tartaruga” e há cerca de cinco meses foram totalmente paralisadas. César Ladeira disse ter informações de que será impossível a execução da parte final das obras pelo Governo Estadual. Entre os motivos, estaria “a crise que o estado enfrenta”.
O prefeito de Carmo tem afirmado em diversas entrevistas que está propondo uma parceria da Prefeitura com o Estado para finalizar as obras do conjunto habitacional, já que as casas invadidas, da forma que estão, não têm a mínima infraestrutura para abrigar moradores. Ele reconhece que a Prefeitura não pode ignorar o fato, pois as famílias envolvidas na invasão são formadas por pessoas em total situação de vulnerabilidade. O prefeito destaca, entretanto, que compreender a situação não significa ser favorável à invasão.
A Polícia Civil de Teresópolis abriu inquérito para apurar e identificar os responsáveis pela invasão. Um representante de cada família está sendo autuado por invasão ilegal de imóvel. Assim que o processo for terminado, ele será enviado para o Ministério Público.
A Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro informou que a construção das 66 casas do Conjunto Ave Maria foi iniciada em outubro de 2011. O valor do empreendimento é de aproximadamente R$ 3, 2 milhões. A companhia afirmou que está analisando as medidas cabíveis para retomar a obra. O prefeito municipal de Carmo, César Ladeira, tem mantido permanente contato com a CEHAB e também com o Secretário Estadual de Habitação, Bernardo Rossi, cobrando a retomada da obra para que as famílias possam ter condições dignas de morar no local. Paralelamente, a Prefeitura está fazendo um levantamento para conhecer cada caso, a fim de que sejam identificados aqueles que realmente precisam das casas.

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Informações adicionais

  • Cidade: Além Paraíba - MG
Última modificação em Quarta, 14 Outubro 2015 01:24

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