Terça, 27 Outubro 2015 00:00

CEDAE VAI CAPTAR ÁGUA DO RIO PARAÍBA PARA ABASTECER JAMAPARÁ

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Torneiras secas em todas as casa. D. Dalva Marly de Almeida Barros mostra as louças acumuladas na pia. Torneiras secas em todas as casa. D. Dalva Marly de Almeida Barros mostra as louças acumuladas na pia. FOTOS DA MATÉRIA: Agora Jornais, Facebook vice-prefeito, Fabiano Teixeira

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No Córrego do Barão- de onde é canalizada a água para o reservatório da CEDAE (à direita) - corre apenas um filete de água. Se não chover em grande quantidade, não haverá como captar água no córrego neste verão.


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Sem água há quase duas semanas, os moradores realizaram um protesto na BR 393, na manhã do dia 23 de outubro, exigindo providências às autoridades.


Moradores de Jamapará, Taquara e Clube dos Duzentos estão vivenciando dias caóticos— há quase duas semanas— com a total falta de água na sede do 4º Distrito de Sapucaia e bairros adjacentes. Com a escassez das chuvas nos últimos anos, o reservatório que sustenta os bairros— e que fica na parte alta da localidade conhecida como “Barão”— está com menos de 10% do nível de água e há mais de dez dias as residências não são abastecidas com normalidade. Tal fato tem gerado uma situação de desespero junto à população.

A CEDAE—Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro— alega que o manancial do Córrego do Barão— onde é captada a água de Jamapará e adjacências— teve sua vazão muito reduzida devido à falta de chuvas. O último ano que choveu bastante foi 2012, quando, infelizmente, aconteceu a tragédia de Jamapará, com vários deslizamentos de terra sobre casas, deixando um saldo de 22 mortos. Em 2013 e 2014 não choveu muito, deixando o nível de precipitação pluviométrica (água das chuvas) muito baixo.
Nesses mais de dez dias com a falta de água, moradores de Jamapará vêm contando com ajuda de empresários e amigos que colocaram seus carros e caminhões transportando água para abastecer as residências necessitadas. No final de semana, sábado, 24 de outubro, a Prefeitura de Sapucaia— até então muito criticada pela população, por sua omissão ante o problema— disponibilizou um caminhão-pipa para colher e transportar a água de uma cachoeira até a estação da CEDAE, no Barão, onde o líquido passou a receber tratamento e foi distribuído às residências. Porém, essa medida ainda é paliativa, e não dá conta do consumo diário do distrito, consumo esse fica em torno de 41.000 litros por hora— segundo informações do prefeito Anderson Zanon, em entrevista concedida ao radialista Manoel Américo, da Rádio Mix Além Paraíba, na manhã do último dia 26.
Nesta semana, a reportagem do Jornal AGORA foi até Jamapará e pôde constatar o sofrimento dos moradores com a falta de água. Muitos afirmaram que por cerca de 7 dias ficaram à mercê da própria sorte, sem qualquer ajuda do poder público, contando apenas com o apoio de amigos e empresários da localidade, que colocaram seus caminhões e carros para conduzir barris e latões de água. A CEDAE também não havia dado nenhuma informação aos moradores sobre soluções a serem tomadas com relação ao problema. Ainda, segundo os reclamantes, tanto a CEDAE quanto a Prefeitura de Sapucaia apenas se manifestaram depois que um grupo moradores resolveu fazer um protesto pacífico, ocupando a BR 393 (Rodovia do Aço), no trecho do perímetro urbano de Jamapará. O protesto, que reuniu dezenas de pessoas, aconteceu na manhã do dia 23 de outubro. A manifestação popular serviu para chamar a atenção das autoridades e no dia seguinte, 24 de outubro, a Prefeitura de Sapucaia disponibilizou um caminhão-pipa para ajudar no abastecimento do distrito.
Durante a caminhada de contato com o moradores de Jamapará, a reportagem do Jornal AGORA encontrou o vice-prefeito do município, Fabiano Teixeira. Bastante envolvido na solução do problema, ele informou que está acompanhando tudo de perto e que medidas emergenciais já foram tomadas. A prefeitura intermediou uma parceria entre a CEDAE e Copasa, concessionária de água e esgoto em Além Paraíba— município de Minas Gerais, separado de Jamapará (RJ) apenas pelo rio Paraíba do Sul. Para amenizar o problema dos moradores do distrito sapucaiense, foi tentada uma interligação entre as redes da CEDAE e da Copasa— que se dispôs a ceder sua água tratada. Essa interligação foi feita na captação existente próxima à ponte Engenheiro Armando Godoy, no centro da cidade de Além Paraíba, entretanto, a medida não surtiu efeito positivo em um primeiro momento, por motivos técnicos, pois a água direcionada para o estado do Rio não teve forças para chegar ao reservatório da CEDAE, na parte alta do bairro Barão. Dessa forma, outra solução emergencial encontrada pela Prefeitura foi conseguir três caminhões pipas de 10 mil litros cada um. Desde a manhã de terça-feira, 27 de outubro, esses caminhões vêm sendo abastecidos em Além Paraíba e a água tratada da Copasa passou a ser levada para Jamapará, Taquara e Clube dos Duzentos, a fim de suprir as necessidades básicas dos moradores. Como a necessidade de Jamapará e bairros vizinhos é de 41 mil litros por hora, o abastecimento com caminhões-pipa é apenas paleativo.
— Essa não é a solução ideal- enfatizou o vice-prefeito de Sapucaia, Fabiano Teixeira, à reportagem do Jornal AGORA. Ele adiantou que essa medida de caráter emergencial se faz necessária para se ganhar tempo, enquanto a CEDAE implanta um sistema de captação de água diretamente do rio Paraíba do Sul, nas imediações do auto-posto Divisa, na Avenida Paulino Fernandes, em Jamapará. As obras de captação e canalização da água do Paraíba para ser levada até o reservatório, no alto do Barão, devem durar cerca de 6 dias. Enquanto isso, a CEDAE terá, também, que estudar um novo sistema de tratamento para a água do rio Paraíba do Sul que, diferentemente do Córrego do Barão, recebe dejetos de toda espécie, inclusive esgoto industrial. O manancial que normalmente abastece Jamapará e bairros é o Córrego do Barão, com suas águas limpas e livre de poluição.
Diante da problemática situação é preciso que toda a população de Jamapará permaneça em constante vigilância no que diz respeito à economia de água, a fim de que as medidas emergenciais da Prefeitura e CEDAE possam amenizar o sofrimento por que passam todos os moradores daquele distrito sapucaiense.

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Caixas d´água vazias: a triste realidade dos moradores do distrito de Jamapará, em Sapucaia (RJ).

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Na casa de Rosilene de Almeida, a água só chega nos latões.


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Os moradores estão tendo que recorrer até mesmo ao cemitério para conseguir água.

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Garrafas à mão: uma situação que já virou rotina na vida dos moradores de Jamapará.

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Voluntários abastecem os galões na escassa água de uma cachoeira para ajudar os amigos.

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Até mesmo os carros de passeio são utilizados para transportar água no distrito, que vive essa situação há mais de dez dias.

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O vice-prefeito de Sapucaia, Fabiano Teixeira (à esquerda), foi designado pelo prefeito Anderson Zanon para  buscar solução para o problema da falta de água em Jamapará.

Informações adicionais

  • Cidade: Além Paraíba - MG
Última modificação em Segunda, 09 Novembro 2015 22:52

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