Sexta, 05 Fevereiro 2016 00:00

Epidemia de dengue em Além Paraíba: população precisa fazer sua parte

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O setor de combate à dengue em Além Paraíba tem feito o seu trabalho com seriedade, mas a população precisa colaborar e fazer a sua parte no combate ao mosquito Aeds Aegypti. O setor de combate à dengue em Além Paraíba tem feito o seu trabalho com seriedade, mas a população precisa colaborar e fazer a sua parte no combate ao mosquito Aeds Aegypti.


Além Paraíba está enfrentando uma grave epidemia de Dengue. A situação com relação aos casos da doença no município é alarmante e vem aumentando a cada dia. Duas mortes já foram registradas em decorrência da dengue: a do empresário Ivo Medeiros, proprietário do Auto Posto Caik e a de um morador do bairro Porto Novo. Ambos estavam com a saúde debilitada, contrairam dengue e acabaram falecendo. Um terceiro caso, mais recente, a do protético Fernando Mazzoni, residente na Vila Laroca, está sob investigação da Secretaria Municipal de Além Paraíba.
Houve também, em janeiro, a suspeita de dois casos de dengue hemorrágica. As duas pessoas chegaram a ficar internadas na UTI do Hospital São Salvador, mas, felizmente, não foi confirmada a dengue hemorrágica.
Segundo dados fornecidos à reportagem do Jornal AGORA pela coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde , Eliane Resende, nos últimos 12 meses, já foram notificados, em Além Paraíba, 1.096 casos oficialmente. Mas ela admite que o número oficial pode ser bem maior, já que muitas pessoas que contraem o doença não fazem a devida comunicação à Secretaria Municipal de Saúde e também porque a Divisão de Epidemiologia, após ter sido decretada a epidemia, foi liberada do envio de sorologias à Regional de Saúde para a confirmação dos casos, só sendo obrigada a isso em casos especiais como: idosos, pessoas com doenças graves, crianças, gestantes ou moradores de áreas onde ainda não há nenhum caso confirmado.
O fato é que o índice de dengue em Além Paraíba é o maior de toda a região. E isso tem assustado as autoridades. O prefeito Fernando Lúcio Donzeles, desde o final de novembro, já havia baixado um Decreto Municipal instituindo "Estado de Alerta Contra a Dengue". Este decreto entre outros assuntos, passou a permitir aos agentes do combate à dengue que entrem nas residências e quintais para realizarem o seu trabalho, mesmo sob a recusa do proprietário, prevendo, ainda, a punição às pessoas que possuem quintais com lixos que facilitem a proliferação do mosquito.
A equipe de combate à dengue— sob o comando de Fernando Cruz— tem intensificado a cada dia o seu trabalho, aumentando a carga horária— trabalhando aos sábados e até feriados— inclusive criando novas atividades para combater o mosquito transmissor da dengue. Foi criada a operação “Força Tarefa”, que está imobilizando não só o Setor de Combate à Dengue como também a Secretaria Municipal de Obras e a Defesa Civil, com o objetivo de promover arrastões de limpeza e “bota-fora” (com o recolhimento de lixos e entulhos) e prosseguimento das ações de conscientização da população, no combate ao mosquito.
O responsável pelo combate à dengue no município de Além Paraíba, Fernando Cruz, e sua equipe, diariamente, têm postado verdadeiros apelos à população através da Internet, pedindo a colaboração dos alemparaibanos na fiscalização de suas casas e quintais. Fernando tem se manifestado exausto, destacando que não pôde sequer estar com sua família no Natal e Ano Novo, por conta do combate à dengue.
Apesar de todo esse esforço dos órgãos públicos, mesmo com toda a divulgação na imprensa local e nas redes sociais por parte do setor de combate à dengue, os casos só vêm aumentando em Além Paraíba e, conforme alerta Fernando Cruz, “cabe à população fazer a sua parte”, porém isso não tem acontecido. Os alemparaibanos parecem estar “tranqüilos”, alheios ao perigo. Como informa Fernando Cruz, a maioria dos focos estão sendo encontrados em residências, localizados em piscinas, calhas, vasos de plantas e outros. Os locais mais afetados na cidade são os bairros São José, Vila Caxias, Morro da Conceição e Santa Rosa. Muitas vezes, são imóveis já vistoriados anteriormente pela equipe da dengue, mas que, com a negligência de seus proprietários, voltam a registrar focos do mosquito Aeds Aegypti.
Fernando Cruz foi categórico em dizer que “pode aumentar o número de mortes decorrentes da dengue em Além Paraíba, se a população não contribuir da forma que precisa”. Segundo ele, o mês de março será o pior de toda a história, pois é o mês de “pico” da proliferação do mosquito. Ele incentiva a população a combater o Aeds Aegypti dizendo: “Se cada um tirar 10 minutos de seu tempo por semana, para se dedicar ao combate ao mosquito em sua residência, haverá 30% de chances de não pegar dengue; se dedicar mais 10 minutos em combater em seu trabalho, tem mais 30% de chance de não ser contaminado”.
A Secretária Municipal de Saúde, Júlia Knop Cabral, divulgou nota à população sobre a necessidade de se unir no combate ao mosquito transmissor da dengue, a Chikungunya, e a Microcefalia. A nota pede a colaboração de cada munícipe no combate ao Aedes Aegypti: “Somente com a ajuda da população conseguiremos evitar os altos índices da infestação do vetor no município”.
SECRETARIA DE SAÚDE CRIA O CENTRO DE ATENDIMENTO AO PACIENTE

Em face da epidemia de dengue, e devido ao fato de que o Hospital São Salvador estava ficando sobrecarregado com os atendimentos em seu pronto-socorro, a Secretaria Municipal de Saúde implantou, no CMEC (na Praça da Bandeira), um Centro de Atendimento ao Paciente. Todas as pessoas que estiverem com sintomas da doença (febre, dor de cabeça, dor nos olhos, dor nos ossos e articulações, manchas vermelhas na pele, náuseas, vômitos, tontura e cansaço extremo) devem se dirigir, primeiramente, ao Centro de Atendimento ao Paciente. Lá, os médicos no plantão especial para os casos de dengue farão a triagem e encaminharão os casos mais graves para o Hospital São Salvador.
FUMACÊ NÃO É SOLUÇÃO PARA A DENGUE

No último dia 26 de janeiro, dois carros de UBV pesado— conhecidos por “Fumacê”— chegaram a Além Paraíba para o Combate à Dengue. Veículos como esses— que foram enviados pela Secretaria Estadual de Saúde após a constatação da epidemia— também estão tendo que ser usados em cidades da região, como Pirapetinga, Volta Grande, Estrela Dalva e Carmo (onde número de notificações também é grande). Os UBVs costais (portáteis) já vinham sendo usados, anteriormente, pelos agentes da dengue nos locais mais afetados, e continuarão a ser usados em lugares de difícil acesso.
As autoridades de saúde do município deixam um alerta para a população: “O UBV não é a solução definitiva para o Aedes Aegypti. O larvicida usado só mata os mosquitos, as larvas continuam vivas e o mosquito continua a proliferar”. A única solução para a dengue é a vigilância permanente da população, eliminando qualquer tipo de possibilidade de focos em água parada.

Informações adicionais

  • Cidade: Além Paraíba - MG
Última modificação em Sexta, 05 Fevereiro 2016 20:40

3 comentários

  • Link do comentário Jarbas Quinta, 18 Fevereiro 2016 10:47 postado por Jarbas

    Triste e de muita falta de humanidade,ainda existirem pessoas, como essa casa na foto, com a caixa d´água aberta,pelo amor de Deus,tomem vergonha na cara e ajudem a acabar com essa praga, que está cada vez ficando pior!!!

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  • Link do comentário eduardo.lima Quarta, 10 Fevereiro 2016 19:43 postado por eduardo.lima

    vou dar um endereço de casa abandonada e que é certo ser foco de dengue/zica e roedores:

    Rua ELPIDIO HENRIQUE DE SOUZA , 141 , em frente ao antigo Senai e ao lado do porto da extinta RFFSA

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  • Link do comentário Gilberto de Souza Segunda, 08 Fevereiro 2016 14:34 postado por Gilberto de Souza

    DENGUE, ZICA, CHIKUNGUNYA E GUILLAIN-BARRÉ
    O MOSQUITO ESTÁ GANHANDO A GUERRA.
    A campanha do governo e da mídia está sendo seguida, não há ninguém no país que desconheça e a maioria segue, mas não está adiantando. Por que?
    A fêmea que vive apenas 35 dias e coloca 400 ovos, voa até 2,5 Km a procura d’água que provavelmente encontra, é impossível secar todos criadouros, se não encontrar deposita os ovos em lugar seco, os ovos resistem por 450 dias a espera d’água.
    Veja a progressão geométrica de casos apesar do empenho da população:
    2015 1.649.008 notificações 863 óbitos fonte Estadão 15/01/2016
    2013 1.452.489 notificações 674 óbitos fonte Estadão 15/01/2016
    2007 536.519 notificações 136 óbitos fonte Ministério da saúde
    Por que o número de mosquitos aumenta?
    Por um desiquilibro ecológico, falta, predadores: eliminamos as lagartixas e aranhas caseiras, não adianta somente tentar o impossível, acabar com todos criadouros, mas podemos acabar com os ovos.
    Como? Criando criadouros, colocando copinhos com um centímetro de agua limpa dentro de casa e esvaziando de três em três dias dentro de uma garrafa pet com alguns grãos de arroz e furinhos na tampa para respirar, após sessenta dias teremos uma colônia de larvas para eliminar e a certeza que a fêmea também estará morta.
    Simples assim? NÃO, seria preciso uma nova acirrada campanha nacional para que a maioria da população dispusesse a dedicar sessenta dias para erradicar o mosquito como na década de 1950.
    É POSSIVEL, MAS É MUITO DIFÍCIL
    A ideia não é minha e sim do Dr. André Luis que é médico veterinário e professor de Imunologia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
    Site: http://www.saudecuriosa.com.br/deixar-agua-parada-pode-ser/

    Gilberto de Souza

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