Quinta, 09 Abril 2015 00:00

Convocado pela Câmara Municipal de Além Paraíba, Secretário de Saúde não comparece

Avalie este item
(1 Voto)
O vereador Dauro Machado diz que não abrirá mão de ouvir o Secretário e ameaçou até mesmo com uma CPI. O vereador Dauro Machado diz que não abrirá mão de ouvir o Secretário e ameaçou até mesmo com uma CPI. Arquivo Jornal Agora

Bombardeado nas emissoras de rádio e em grupos de debates sobre Além Paraíba na Internet, o Secretário Municipal de Saúde, Hudson Freitas, o “Bedeu”, não compareceu à reunião do dia 16 de março na Câmara Municipal— pela qual havia sido convocado, para prestar esclarecimentos a respeito de problemas que vêm ocorrendo em sua gestão. As denúncias, capitaneadas pelo vereador Dauro Machado, vão desde a falta de medicamentos, passando por sumiço de documentos e até mesmo “prática de sexo grupal” na sede da Secretaria, o que levou o parlamentar a afirmar publicamente que a Secretaria Municipal de Saúde de Além Paraíba é “uma zona, uma casa de quengas”.
Foi o vereador Dauro Machado quem liderou, junto aos seus pares no Legislativo, o movimento para que o Secretário Hudson Freitas fosse convocado a estar presente na reunião ordinária do dia 16 passado, na Câmara Municipal. O encontro e a sabatina acabaram não acontecendo, pela falta de comparecimento do popular “Bedeu”.
Em nota justificativa enviada ao Legislativo, o prefeito municipal de Além Paraíba, Fernando Lúcio Donzeles, esclareceu que a ausência de seu secretário se deu por recomendação médica e, por esse motivo, “Bedeu” ficará afastado de sua função por 30 dias, portanto, até meados de abril. Fernando Lúcio garante que o afastamento de seu Secretário de Saúde é necessário, e apenas “temporário”, e negou os boatos de que houve pedido de exoneração ou de demissão de Hudson Freitas.
Segundo noticiou o site da Câmara Municipal de Além Paraíba, assim que soube do não comparecimento do Secretário Municipal de Saúde à Câmara na tarde do dia 16 de março, o vereador Dauro Machado declarou em plenário que não abrirá mão da presença de “Bedeu” para prestar os devidos esclarecimentos na Casa e à população. E foi mais adiante, ameaçando recolher assinaturas para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito): “O foco do problema se chama incompetência de gestão”— sentenciou Dauro Machado.

 

‘Bedeu’ se afastou por problemas na própria saúde

 



O Secretário Municipal de Saúde, Hudson Freitas, o 'Bedeu', teria se afastado de seu cargo por 30 dias para tratamento da própria saúde, mas há rumores de que ele será substituído no cargo.

 

Informações não oficiais dão conta de que o afastamento temporário do Secretário Municipal de Saúde, Hudson Freitas, se deu por ordens médicas, já que ele vem apresentando séria patologia gástrica, com indícios de sangramento estomacal (ele teria, por algumas vezes, “vomitado sangue”). O problema de saúde provavelmente teria sido agravado—relata a fonte da informação— pela alta carga de estresse a que ele está sendo submetido no cargo de Secretário Municipal de Saúde, tendo que driblar inúmeras adversidades, entre elas, as dificuldades financeiras apresentadas pelo SUS— Sistema Único de Saúde— aliadas a situações diárias de ações na Justiça para que a Secretaria pague medicamentos, tratamentos e até cirurgias particulares—mesmo para quem tem recursos financeiros. Neste último caso está enquadrado, inclusive, o maior crítico do Secretário Hudson Freitas: o vereador Dauro Machado que, no segundo semestre do ano passado, foi beneficiado por uma ação na Justiça, saindo vencedor. Dauro deveria ter se submetido a uma cirurgia para a retirada de um nódulo nas cordas vocais. A Prefeitura, obrigada pela Justiça, pagou pelo procedimento a um renomado médico particular de Juiz de Fora, mas o vereador não foi operado por ter passado mal no momento da cirurgia, com uma crise hipertensiva. O dinheiro não foi devolvido aos cofres públicos.
Em recente entrevista ao Jornal Além Parahyba, Dauro declarou: “Ingressei na Justiça e consegui uma liminar para que o SUS pagasse a cirurgia. É um direito de todos. Fiz como diversas pessoas de Além Paraíba, que mesmo com confortável situação financeira assim procederam, ou seja, entraram na Justiça para o custeio do tratamento. Ganhei na Justiça, porque na época eu não tinha condições de pagar a cirurgia. Vale ressaltar que a Prefeitura não me repassou qualquer dinheiro, pois isso tudo é pago diretamente ao hospital onde será realizado o procedimento cirúrgico e aos médicos. Quando eu for operar, a Secretaria de Saúde arcará com os custos cerca de R$ 9 mil. A Constituição Federal diz que saúde é direito de todos e dever do estado. Eu pago impostos, então entrei na Justiça para garantir minha saúde e aconselho a todos que não consigam seus tratamentos em tempo rápido que façam o mesmo.”
Segundo informou uma fonte ligada à Administração Municipal, os R$ 9 mil aos quais se refere o vereador Dauro, seriam, na verdade, R$10.300 mil e, ao contrário do que ele afirmou na entrevista ao jornal Além Parahyba, o valor, ou parte dele, já teria sido pago em 2014, antes mesmo do vereador se internar para fazer a cirurgia. Tal valor não foi devolvido aos cofres públicos, nem pelo hospital, nem pelo médico, e nem pelo vereador, pois, conforme o mesmo destacou, na entrevista concedida ao jornal Além Parahyba, o dinheiro não passou por suas mãos.
A mesma fonte informou ao JORNAL AGORA que, atualmente, por conta de inúmeras ações judiciais como a de Dauro— “na maioria das vezes impetradas por pessoas com condições financeiras para custear seus tratamentos”— estão se esvaindo da Secretaria Municipal de Saúde, “mais de R$ 700.000,00” de recursos advindos do SUS. “Quando alguém ganha uma causa dessas na Justiça, quem perde é o mais fraco e o que mais necessita”— opinou a fonte, concluindo: “Os gastos extras determinados pela Justiça refletem diretamente na qualidade da saúde pública para os mais necessitados. Quando alguém passa na frente de outro via ação judicial, esse alguém toma o lugar do outro, que acaba na longa fila de espera do SUS, devido à diminuição dos recursos financeiros para a saúde do município”.


Prefeitura confirma pagamento de cirurgia que não foi feita

Para a confecção da presente matéria, a reportagem do JORNAL AGORA fez contato com a Secretaria Municipal de Justiça, a fim de que fosse apurado o real valor que a Prefeitura arcou ou arcará com a cirurgia do vereador Dauro Machado. Em nota enviada a este informativo, a Prefeitura confirma o valor de R$ 10.300 mil e também confirma que o vereador não se submeteu ao procedimento cirúrgico. O valor já pago não foi devolvido e a nota enviada ao JORNAL AGORA não diz se a PMAP está recorrendo na Justiça para reaver o dinheiro. Apenas informa que foi feito contato com o médico cirurgião que recebeu a quantia e este justificou os motivos do adiamento da cirurgia de Dauro. Leia, na íntegra, a explicação da Secretaria de Justiça:
“No dia 30 de julho de 2014, o impetrante Dauro Garcia Machado ingressou com Mandado de Segurança em face do Município, alegando ter sido diagnosticado como portador de Lesão de aspecto tumoral em edema de Reinke na prega vogal esquerda, com área de necrose, leucoplasia CID 10J38.3. No dia 04 de agosto do mesmo ano, o MM Juiz da 1ª Vara, Dr. Emerson Marques Cubeiro dos Santos, antecipou os efeitos da tutela e determinou que o Município providenciasse, no prazo de 20 dias, a referida cirurgia, sob pena de crime de desobediência. Ressalta-se que no processo, existe declaração médica informando a impossibilidade do procedimento cirúrgico ser realizado no HSS, diante da “falta de instrumento específico”. Para que o procedimento cirúrgico fosse realizado em Juiz de Fora, foi condição imperiosa o pagamento antecipado dos serviços médicos, no valor de 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais), mais o empenho das despesas com o hospital no valor de 3.800,00 (três mil e oitocentos reais). Não obstante, até a presente data, a cirurgia não foi realizada. A Secretaria de Justiça entrou em contato com o médico responsável, Dr. José Antônio Cheuhen Neto que informou, através de ofício que ‘não foi realizado o procedimento no paciente em razão de o mesmo ter apresentado, já no centro cirúrgico, um quadro de pânico, com alteração da pressão arterial, o que levou ao adiamento da cirurgia para devido acompanhamento psiquiátrico’.”
O JORNAL AGORA também fez contato, por telefone, com o vereador Dauro Machado, que autorizou que fosse reproduzida—como seu pronunciamento a respeito do assunto— a resposta dada por ele, sobre o mesmo tema, na entrevista recentemente concedida ao jornal Além Parahyba ( a resposta a que ele se refere já foi reproduzida acima, no corpo da presente matéria). Dauro fez questão de acrescentar que ainda não houve pagamento da parte destinada ao hospital, mas sim um empenho para futuro pagamento, por ocasião de sua cirurgia, quando ela vier a ocorrer. Ele diz que se encontra, atualmente, em tratamento psiquiátrico para vencer o pânico e acredita que, até junho próximo, ele já consiga estar em condições de retornar a um centro cirúrgico para ser operado. Mais uma vez, Dauro destacou que entrou na Justiça para conseguir a gratuidade em seu tratamento e entrará “tantas vezes quanto for necessário”, pois “existe muita gente rica” a fazer uso de tal caminho judicial, “até para comprar medicamentos para dor de barriga”.

Informações adicionais

  • Cidade: Além Paraíba - MG

Deixe um comentário