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MP mira anestesistas por suspeita de irregularidades em Além Paraíba e Leopoldina

As investigações seguem em andamento e, segundo o Ministério Público, têm como objetivo esclarecer a atuação dos profissionais e eventuais prejuízos aos cofres públicos e ao sistema de saúde.

Redação
Por: Redação
10/03/2026 às 13h36 Atualizada em 12/03/2026 às 14h08
MP mira anestesistas por suspeita de irregularidades em Além Paraíba e Leopoldina

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) cumpriu, na manhã desta terça-feira, mandados judiciais nas cidades de Leopoldina e Além Paraíba, na Zona da Mata mineira. A ação faz parte de uma investigação que apura a suspeita de desvio de dinheiro público destinado à área da saúde.

De acordo com o Ministério Público, a operação tem como alvo quatro médicos anestesistas de Leopoldina, que estariam supostamente ligados a um esquema de irregularidades envolvendo recursos públicos utilizados em serviços de saúde.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de constrição patrimonial, que incluem apreensão, bloqueio, restrição e indisponibilidade de bens dos investigados. As medidas foram autorizadas pela Justiça como parte das investigações em andamento.

Segundo o MP, os médicos também são suspeitos de práticas irregulares, como manipulação de escalas médicas, realização de cirurgias simultâneas sequenciais e ainda a realização de cirurgias eletivas durante o período de plantão do Sistema Único de Saúde (SUS).

A ação faz parte da terceira fase da Operação Onipresença, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da Zona da Mata.

De acordo com o Ministério Público, a primeira fase da operação foi realizada no dia 13 de dezembro de 2025, enquanto a segunda fase ocorreu em 19 de dezembro de 2025, dando continuidade às investigações sobre o suposto esquema.

Conforme informou o MP, as supostas irregularidades teriam ocorrido em serviços médicos prestados junto à Casa de Caridade Leopoldinense, em Leopoldina, e também no Hospital São Salvador, em Além Paraíba. Ambas as unidades são conveniadas ao SUS e integram a Rede Regional de Urgência e Emergência, responsável pelo atendimento da população com recursos públicos.

As investigações seguem em andamento e, segundo o Ministério Público, têm como objetivo esclarecer a atuação dos profissionais e eventuais prejuízos aos cofres públicos e ao sistema de saúde.

Entenda o caso
De acordo como o Gaeco, objetivando a concretização da empreitada criminosa, os denunciados, liderados por uma médica, agiam mediante combinações de versões, falsidades documentais, manipulação de documentos importantes e até mesmo imputação de responsabilidades a pessoas aparentemente inocentes, condutas causadoras de graves riscos à saúde e à vida dos usuários atendidos nas entidades hospitalares de Leopoldina e Além Paraíba, conveniadas ao SUS.

As apurações também revelaram práticas de fraudes, ocultação de erros médicos e emissão de atestados falsos, atestados utilizados para justificar ausências no plantão, chegando uma das acusadas a se intitular “rainha dos atestados”.

Um dos denunciados chegou a propor ao filho, aparentemente estudante de medicina, para treinar medicina “entubando velhos” “sem dentes”, em tom de ironia, ao passo que outro médico acusado expôs imagem íntima de paciente para um comparsa.

De acordo com as investigações, uma denunciada, além de idealizar toda a manipulação de escalas médicas, agiu intensamente para interferir na produção probatória, adotando posturas intimidatórias em relação às testemunhas e informantes dos graves fatos apurados.

Além dos bloqueios de bens dos denunciados, a Justiça recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público e ainda determinou: o compartilhamento das provas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina, com a Gerência Regional de Saúde e com todas as vítimas diretas e/ou indiretas das condutas perpetradas pelos médicos denunciados; afastamento dos médicos acusados de todo e qualquer hospital conveniado ao SUS, como forma de resguardar o andamento das investigações e a sobreposição do interesse público sobre o privado, ante os indícios de desvio de recursos do erário em investigação.

O MPMG ressalta que as investigações continuam em andamento e não se descarta o envolvimento de outras pessoas no esquema investigado. Ademais, objetivando que as eventuais vítimas e familiares tomem conhecimento dos fatos até então apurados, o Poder Judiciário, atendendo a pedido do Ministério Público, oportunizou que os interessados tomem conhecimento do teor da denúncia apresentada no processo criminal nº. 5007321-05.2025.8.13.0384.

Para tanto, o processo poderá ser acessado por qualquer interessado que fizer o requerimento em juízo, através de solicitação a ser encaminhada ao e-mail [email protected]. O pedido poderá ser feito também diretamente à Promotoria de Justiça ou outro setor indicado pelo MPMG, cujo acesso poderá ocorrer através de envio do documento por meio eletrônico ou à secretaria da Vara Criminal da comarca.

Diante da gravidade dos fatos, novas informações, denúncias e relatos podem ser apresentados diretamente ao MPMG e são fundamentais para o avanço das investigações e para a responsabilização de todos os envolvidos, sendo que as eventuais manifestações podem ser realizadas diretamente nas Promotorias de Justiça da região ou por meio dos canais oficiais do Ministério Público.

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