
A vitória do Clube de Regatas do Flamengo sobre o Fluminense Football Club, nos pênaltis (5 a 4), na decisão do Campeonato Carioca de 2026, na noite do último domingo, 08 de março, motivou comemorações de torcedores também em Além Paraíba. No entanto, a soltura de fogos de artifício com estampido voltou a provocar críticas e indignação entre moradores.
Nas redes sociais, diversas pessoas relataram o grande número de rojões e foguetes disparados durante a noite, lembrando que o município possui legislação que proíbe esse tipo de artefato devido aos prejuízos causados a animais, idosos, pessoas doentes e indivíduos com transtorno do espectro autista.
Uma das consequências mais tristes da noite foi a morte da cadela “Princesa”, uma mestiça de pitbull de seis anos. Segundo sua tutora, Sueli de Souza Estevam, ex-funcionária do Jornal Agora, o animal entrou em estado de pânico quando os fogos começaram, por volta das 20h.
De acordo com o relato da família, a cachorra ficou extremamente agitada e ofegante, tentando se esconder dentro da casa para fugir do barulho. Durante a madrugada, ao abrir a porta da residência, os moradores encontraram “Princesa” caída na entrada da casa, já sem vida. A suspeita é de que tenha sofrido um infarto provocado pelo estresse causado pelos estampidos.
Outros relatos de animais em sofrimento também foram publicados por moradores na internet.
Lei municipal proíbe fogos barulhentos
Além Paraíba possui legislação específica sobre o tema. O Código de Posturas do município já tratava da questão desde 1995, mas a regra foi ampliada em 2022 com a aprovação da Lei Complementar nº 043, que passou a proibir a soltura de fogos com estampido tanto em locais fechados quanto abertos.
A proposta foi apresentada pelo vereador Fernando Cruz, defensor da causa animal. A legislação permite apenas fogos com efeitos visuais, sem barulho ou com ruído de baixa intensidade.
Há exceções apenas em situações de tradição cultural ou religiosa, e ainda assim mediante autorização prévia da Prefeitura.
Conscientização e fiscalização
O caso reacende o debate sobre a necessidade de maior conscientização da população e fiscalização do cumprimento da lei. Especialistas lembram que o barulho dos fogos pode provocar crises em pessoas autistas, causar sofrimento a idosos e pacientes hospitalizados e gerar pânico em animais.
A morte de “Princesa” gerou grande comoção nas redes sociais e reforça um alerta que vem sendo repetido por protetores de animais: comemorar é legítimo, mas sem colocar em risco a vida e o bem-estar de outros.
Moradores esperam que o episódio sirva de reflexão para a comunidade. Infelizmente, “Princesa” não é o primeiro animal a morrer em decorrência do barulho de rojões e foguetes. A expectativa é que seja a última.