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Fim do Terror: Hospital Colônia de Barbacena será fechado definitivamente

Pelas atrocidades, o local é conhecido como ‘Holocausto brasileiro’, título do livro da jornalista Daniela Arbex, que conta a história dos genocídios cometidos na instituição.

Redação
Por: Redação Fonte: g1
15/05/2026 às 14h31 Atualizada em 24/05/2026 às 14h53
Fim do Terror: Hospital Colônia de Barbacena será fechado definitivamente

O Hospital Colônia de Barbacena será definitivamente fechado, conforme anúncio do governador de Minas Gerais, Mateus Simões.

O local, que iniciou o processo de desativação na década de 1980, encerra definitivamente as atividades após a transferência dos últimos 12 pacientes.

Conforme o Governo de Minas, eles não têm mais vínculo familiar, não falam, vivem em condições bem específicas de saúde e serão levados para uma outra instituição do município, sob responsabilidade da prefeitura.

“Nós vamos passar um cadeado nessa fase da história de Barbacena. As últimas 12 pessoas que não têm famílias e que continuam internadas vão ser transferidas para outras instituições, com uma lógica muito diferente da lógica atual, uma lógica que continua sendo muito humanizada, como já é hoje, mas fora da estrutura para que a gente possa encerrar este capítulo”, explicou o governador.

Atualmente, o antigo Hospital Colônia funciona como Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHBP), focado em tratamento humanizado, e também abriga o Museu da Loucura, que guarda as memórias do que foi o maior manicômio do Brasil.

Pacientes internados em situações desumanas

O Hospital Colônia de Barbacena é conhecido por graves violações de direitos humanos no século 20. Criado em 1903, recebia pessoas com transtornos mentais sem qualquer diagnóstico.

Nele, os pacientes eram internados compulsoriamente e expostos a situações desumanas. Apenas 30% deles tinham diagnóstico de doença mental, homossexuais, militantes políticos, grávidas, pessoas com deficiências, transtornos ou distúrbios, como síndrome de Down, autismo e dislexia, além de mulheres rejeitadas pelos maridos ou que haviam perdido a virgindade antes do casamento.

Ao longo de décadas, cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição vítimas de abandono, maus-tratos e condições desumanas. Os ambientes eram extremamente precários. Os pacientes dormiam em um modelo conhecido como 'leito único', que consistia em deitar diretamente no chão frio, coberto somente por capim seco.

Muitos internos não tiveram enterro e, em outros casos, foram vendidas para as faculdades.

Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fez um pedido público de desculpas por ter adquiridos cadáveres dos pacientes do Colônia para serem usados nas aulas de anatomia dos cursos de Saúde da instituição.

Pelas atrocidades, o local é conhecido como ‘Holocausto brasileiro’, título do livro da jornalista Daniela Arbex, que conta a história dos genocídios cometidos na instituição.

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